Eu sei que ando em falta com o blog e os meus leitores habituais, sei sim. Sei tb que há algum tempo o blog anda desatualizado e eu prometi voltar à ativa neste comecinho de ano, até tentei, mas pelo que podem notar, não tem sido meta cumprida até agora... Não que eu esteja querendo justificar minha ausência a todo custo, mas preciso dar uma satisfação aos amigos que vez ou outra aparecem por aqui e já andam reclamando da minha ausência. Gente, meu começo de ano foi um pouco difícil, minha inspiração andou passando lááá longe e sim, eu andei bastante triste esses dias.
Amanhã completa um mês que perdi um amigo muito especial. Para alguns vai parecer bobagem, frescurite, tempestade em copo d'água, mas para pessoas como eu, que amam todo e qualquer ser vivo, haverá uma certa razão no que eu vou contar. Perdi meu amigo mais fiel, mais próximo, mais querido e mais amado. Independente da espécie, se humana eu e felino ele, nós éramos a perfeita combinação de que amigos se entendem com um olhar, um aconchego, um carinho, uma presença. Ele esteve ao meu lado durante 8 anos e há um mês eu o vi partir. Confesso que, na minha vida, não havia sentido dor tão grande. Ele nunca miava, nunca se estressava, nunca reclamava. Era sempre o meu amigo fiel, que dormia ao meu lado, que tomava conta de toda a minha cama como só um gato esperto sabe como fazer. Desaparecia por algumas horas e depois de procurar e chorar feito louca, descobria que ele estava dentro do meu armário, na maior soneca do mundo, pra no momento de ser achado me olhar com aquele ar meio blasé de quem diz 'te enganei, sua besta'. Qdo me via chorar simplesmente chegava e encostava a patinha na minha perna, sentindo a minha dor como se fosse sua. Passei, ao lado dele, grandes e lindos momentos, sorri várias vezes com sua lerdeza e nojo ao olhar algum bicho estranho ao seu paladar(ratos e baratas, pra ser mais exata, não lhe apeteciam o estômago), ou qdo subia no muro do vizinho pra brigar com algum gato que tentasse entrar em seu território e voltava com o cotoquinho do rabo (charme de nascença) todo flocado do estresse sentido.
Sorri tantas e tantas vezes, mas me desmanchei como criança com a sua partida. Chorei e choro, pq não consigo evitar a saudade. São longos dias, onde ainda penso em chamar por seu nome para que venha dormir comigo, ou qdo ainda lembro de comprar sua ração. Não, não é fácil perder um amigo. Ele chegou na minha vida de sopetão, foi abandonado por alguém que não o queria mais em casa e que, erroneamente, desdenhava do amor que ele podia oferecer. Eu fui lá e o acolhi. Trouxe pra minha casa, pra minha vida e agora não consigo deixar de sentir a sua falta. Eu sei que, talvez, alguns dos que estiverem lendo esse texto se surpreenda e acabe por pensar era 'só' um bicho. Mas eu lhes pergunto, meus caros e parcos leitores: e nós, o que somos, afinal? Qual a diferença entre a minha vida e a dele?
Nenhuma, e eu lhes digo mais uma vez: sofro agora como nunca sofri antes. Viajei durante o carnaval e, ao voltar pra casa, caí num choro de desencanto. Onde estava o meu amigo que sempre me esperava na porta do quarto, com aqueles olhinhos azuis lindos que me faziam sorrir só de ver?
Disso tudo ainda não me libertei da dor de vê-lo sofrendo antes de partir. Ainda fecho os olhos e vejo seu pedido de ajuda, seu miado que sempre foi contido cada vez mais constante, como que pedindo por ajuda e aconchego. Mas eu estive lá, com ele, até o fim. Ainda sinto seu cheirinho cada vez que lembro da sua presença.
Sei que, de todas as coisas que passamos na vida, tudo tem um sentido para acontecer. Ouvi doces palavras de aconchego de alguém que me abraçou ao me ver chorar e que, mesmo não sendo assim tão chegado em bichinhos de quatro patas, sofreu comigo e soube dizer a coisa certa, na hora certa. Para aqueles que não entenderam, paciência. Cada um vive e se expressa como quer. Essa é a minha dor, que eu falo e sinto qto, como e qdo quiser. Aquele que partiu, sempre foi meu amigo de verdade e por isso sinto tanta a sua falta. E, de tão importante que foi, continua me mostrando como as pessoas chegam até nós e, principalmente, quem vale a pena deixar ficar. Quem fica, fica por que quer, e esse é a minha maior lição.
Aos caros amigos deste blog, peço que me perdoem a escrita em primeira pessoa, esse cala-boca temporário nas sandices da MSS, mas eu precisava escrever assim, aberta, sem personagem, com todo o meu coração. Peço, ainda, que esperem por mim por mais alguns dias. Vou me refazer e logo logo estarei de volta, certo?
Certa da compreensão de vcs, deixo muitas bjocas a todos, com um imenso carinho, sempre em primeira pessoa. Sempre.
F.
Toquinho, meu querido, leva um pedacinho do meu coração. Vc me fez muito feliz.


4 super-sabidos comentaram!:
Amor é amor, não existe nada escrito que só se ama "gente", e sabemos tão bem que há certos tipos que não sabem o que é o amor, mas os bichos sabem sim e como.
Não tem jeito Flor, vai doer o tempo que tiver que doer.
A gente te espera o tempo que for necessário.
Bj
Minha Linda, sei que a dor é muito grande! " No semblante de um animal que não fala, há todo um discurso que só um espírito sábio é capaz de entender ! "
(Provérbio Indiano )
Estes nossos amigos fieis, são almas evoluidas...
beijo com carinho
Cynthia
Beija, não existe amor mais verdadeiro que esse. Há quem diga que é interesse, que é pela casa, pela comida, mas não é. Pode não ter nada demais esperando pelo bichano, mas ele sempre estará lá, do seu lado, se fazendo presente com todo amor do mundo. Sei que vai passar, mas sinto tanta falta dele... Enfim, é a vida, né?
Obg. pela visita, viu? Bjocas carinhosas, minha amiga, breve estarei de volta!
:***
Cynthia, concordo toalmente com vc. São seres de alma evoluída, nós deveríamos aprender bem mais com eles...
Obg. pela visita, grande beijo!
:***
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